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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Eclipse

Eu escancarei a porta - ridiculamente ansiosa - e lá estava ele, meu milagre pessoal.
O tempo não me deixara imune à perfeição de seu rosto, e eu tinha certeza de que nenhum aspecto dele deixaria de me surpreender. Meus olhos acompanhavam suas feições pálidas: o quadrado do queixo, a curva suave dos lábios cheios - agora retorcidos num sorriso -, a linha reta do nariz, o ângulo agudo das maçãs do rosto, o mármore macio da testa - parcialmente oculta por uma mecha de cabelo bronze, escuro com a chuva...
Deixei os olhos para o final, sabendo que, quando olhasse dentro deles, talvez perdesse o fio do pensamento. Eles eram grandes, calorosos como de ouro líquido, emoldurados por uma franja grosssa de cílios escuros. Olhar seus olhos sempre fazia com que eu me sentisse extraordinária - como se meus ossos tivessem virado esponja. Eu também ficava um pouco tonta, mas isso devia ser porque eu me esquecia de respirar. De novo.

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Obrigada por colorir meu céu!